Solo e calagem


A acidez do solo limita a produção agrícola em decorrência da toxidez causada por alumínio (Al) e manganês (Mn) e também pela baixa saturação por bases.

No Brasil, em solos corrigidos com calagem, são observados aumentos na produção de soja devido ao efeito no aumento do pH , na redução de Al e Mn tóxicos, no aumento da absorção de nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K) e enxofre (S), e no fornecimento de cálcio (Ca) e magnésio (Mg). A reação do calcário, entretanto, é geralmente limitada ao local de sua aplicação no solo. A calagem não tem um efeito rápido na redução da acidez do subsolo, que depende da lixiviação de sais através do perfil do solo.

A acidez ativa (H ) e acidez potencial (Al ) do solo limitam o crescimento das raízes das cultivares sensíveis ao problema.

Além de reduzir a produtividade, a lavoura fica mais sensível à seca. Por isso, é importante escolher cultivares adequadas a cada condição de acidez do solo.

Além do nível de acidez e Al na camada de solo de 0 a 20 cm, é necessário conhecer a situação na camada de 20 a 40cm, para adequar a cultivar de soja, pois poderá ser a limitação para o aprofundamento das raízes da cultura.

A análise do solo é o início de uma série de fatores que influem na produtividade das culturas em geral.

A coleta das amostras de solo, deve ser efetuada de maneira que haja um tempo hábil para que as análises fiquem prontas e se possa iniciar as atividades de correção do solo e adubação, visando a próxima cultura. Esse tempo hábil inclui, principalmente, a calagem que deve ser feita, no mínimo, 90 dias antes da semeadura de qualquer cultura.

Nas regiões onde o período de chuvas é de seis meses, com seis meses sem chuvas, deve-se aplicar o calcário antes do término do período chuvoso. Desse modo, haverá tempo do corretivo reagir para promover as mudanças benéficas ao solo que será cultivado no próximo período de chuvas.

A área a ser amostrada deve ser dividida em talhões com a maior homogeneidade possível. Isso vai depender do relevo, histórico de utilização, de áreas com erosão ou não, do teor de matéria orgânica, da cor do solo e de outros fatores relacionados.

Na retirada das amostras do solo, com vistas à caracterização da fertilidade, o interesse é pela camada arável do solo, a qual, normalmente, é a mais intensamente alterada por arações, gradagens, corretivos, fertilizantes e restos culturais. A amostragem deverá, portanto, contemplar essa camada, ou seja, os primeiros 20 cm de profundidade.

No sistema de semeadura direta, indica-se que, sempre que possível, as amostragens sejam realizadas em duas profundidades (0-10 e 10-20 cm), com o objetivo principal de se avaliar a disponibilidade de cálcio, magnésio e a variação da acidez entre as duas profundidades. Para a análise da avaliação da acidez subsuperficial e da disponibilidade de enxofre deve-se, também, coletar à profundidade de 20 a 40 cm.

As indicações de adubação devem ser orientadas pelos teores dos nutrientes determinados na análise de solo. Abaixo são apresentados os parâmetros para a interpretação da análise do solo.

Tabela 1 Níveis de alguns componentes do solo para efeito de interpretação de resultados de analises química do solo, para a cultura da soja.

Niveis cmolc dm-3 g kg -1 Saturação na CTC (%) Relações
  Al Ca Mg C MO Ca Mg K Ca/Mg Ca/K Mg/K
--- Solos com CTC<8 cmolc dm-3 ---
Baixo < 0,023 < 1 < 0,4 < 8 < 15 < 26 < 13 < 3 < 1 < 10 < 5
Medio 0,02-1,5 1-2 0,4-0,8 8-14 15-25 26-34 13-18 3-5 1-2 10-20 5-10
Alto > 1,5 > 2 > 0,8 > 14 > 25 > 34 > 18 > 5 > 2 > 20 > 10
--- Solos com CTC ò8 cmolc dm-3 ---
Baixo < 0,023 < 2 <0,04 <8 <15 <26 <13 <3 <1 <10 <5
Medio 0,02-1,5 2-4 0,4-0,8 8-14 15-25 35-50 13-20 3-5 1,5-3,5 8-16 3-6
Alto >1,5 >4 >0,8 >14 >25 >50 >20 >5 >3,5 >16 >6
Fonte: Adaptado de EMBRAPA - Technologias de Produção de Soja - Região Central do Brasil 2014

Além da análise de solo, a diagnose foliar ajuda na interpretação do estado nutricional e da fertilidade do solo, para recomendação de adubação.