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October 16, 2026

Dia da Alimentação: Como a falta de fertilizantes impactaria o abastecimento e o preço dos alimentos?

De: Yara Brasil

Entenda por que os fertilizantes são fundamentais para a produtividade agrícola e para garantir alimentos para a população.


Dia da Alimentação 2026
Dia da Alimentação 2026

Confira as principais ideias do artigo:

  • Sem fertilizantes, o efeito não é imediato, mas aparece safra após safra;
  • Menor produtividade pressiona a abertura de novas áreas e o abastecimento;
  • O preço dos alimentos sobe, e a insegurança alimentar cresce onde já é mais frágil;
  • Produzir melhor e com eficiência é o caminho, e o caso do Estreito de Ormuz mostra o risco da dependência de importados.

 

Suponha que os fertilizantes parassem de existir amanhã. Nada aconteceria de imediato. É provável que as lavouras continuariam verdes por um tempo, vivendo do que ainda resta de nutrientes no solo, e as prateleiras do supermercado não mudariam da noite para o dia. No entanto, esse cenário não duraria por muito tempo. O problema apareceria depois, safra após safra, à medida que o solo fosse sendo cobrado sem receber nada em troca. É assim que funciona a conta da natureza: ela aceita um saque, mas cedo ou tarde cobra o depósito.

A produtividade de diversas culturas cairia com o tempo, a pressão por novas áreas agricultáveis cresceria, e o abastecimento de alimentos sentiria o golpe. Haveria menor disponibilidade de alimentos. Além disso, a colheita final teria menor qualidade, o que mudaria drasticamente o consumo. Num mundo com uma população crescente para alimentar a cada ano, esse golpe chegaria também ao consumidor, pelo preço e pela disponibilidade de comida na gôndola, elevando o risco de insegurança alimentar justamente onde ela já é mais frágil.

Realizar esse exercício de imaginação serve para expor uma ligação que costuma passar despercebida por quem está na ponta final da cadeia, no caixa do mercado: a nutrição de plantas está diretamente conectada à capacidade do planeta de produzir alimento em quantidade suficiente para uma população que não para de crescer.

Em outubro, o Dia do Fertilizante e o Dia Mundial da Alimentação colocam essa discussão em evidência. Em uma sociedade onde ainda vivemos insegurança alimentar, falar de fertilizante é falar de produtividade, de renda no campo, de desenvolvimento sustentável, e, no fim das contas, da capacidade de garantir comida no prato como um direito de todas as pessoas, não um privilégio.

 

O que a falta de fertilizante tem a ver com a fome?

O conceito de segurança alimentar, definido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), ajuda a entender essa ligação: a segurança alimentar é uma realidade quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico, social e econômico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos para atender às suas necessidades e levar uma vida ativa e saudável.

A quantidade produzida, apesar de importante, é só parte dessa equação. O alimento também precisa ter qualidade nutricional e sanitária, condições que sustentam uma alimentação segura para qualquer população. E é exatamente aí que a falta de fertilizante produz um efeito que extrapola os limites da porteira da fazenda. Quando uma lavoura recebe menos nutrientes do que precisa, ela não entrega seu potencial produtivo. Se isso se repete em diferentes regiões e diferentes culturas ao mesmo tempo, a conta aparece na oferta global de alimentos, e eventos que podem levar a esse tipo de ruptura estão mais próximos do que parecem. Esse quadro leva ao aumento do preço dos alimentos e, com o tempo, a uma escassez e à fome em regiões mais vulneráveis economicamente.

A dimensão do uso de nutrientes para a produção de alimentos é grande. A FAO registrou que a agricultura mundial utilizou cerca de 195 milhões de toneladas de nutrientes provenientes de fertilizantes inorgânicos em 2021, o ano mais recente com dados consolidados por nutriente: 109 milhões de toneladas de nitrogênio, 46 milhões de fósforo e 40 milhões de potássio. Fertilizante não é a única peça do quebra-cabeça da produtividade agrícola. Sementes, manejo, irrigação, tecnologia, clima e conhecimento agronômico também entram nessa conta. Mas sem nutrientes, nenhuma dessas outras peças consegue atingir o desempenho esperado.

 

Sem fertilizante, a conta cai sobre a terra

Se os fertilizantes deixassem de ser produzidos, o primeiro desafio seria manter a produtividade das áreas que já são cultivadas hoje. Com menor produtividade por hectare, seria necessário expandir a área cultivável, mas ampliar a fronteira agrícola para compensar essa perda tem um limite físico e ambiental: a agricultura precisa produzir alimento, mas também compete por água, solo e biodiversidade com o resto do planeta. Isso traria impacto em áreas de preservação, fauna, flora e no uso de água, só para citar alguns exemplos. Desse modo, fica evidente que produtividade e sustentabilidade deixam de ser agendas separadas e passam a ser, na prática, a mesma conversa.

Alimentar mais gente não é simplesmente produzir mais. É produzir de forma eficiente, usando melhor os recursos disponíveis e preservando a capacidade produtiva do solo para a próxima safra e para as próximas gerações. A Organização das Nações Unidas projeta que a população mundial deve chegar a cerca de 9,7 bilhões de pessoas em 2050. Isso significa alimentar uma fatia adicional de gente justamente num cenário de mudanças climáticas e de recursos naturais cada vez mais disputados. Nesse contexto, a nutrição equilibrada das plantas deixa de ser um detalhe técnico e vira uma peça estratégica para que possamos equilibrar a balança.

Há um ponto central que vale destacar: o futuro da agricultura não depende de simplesmente colocar mais nutriente no solo, depende de um equilíbrio complexo que envolve usar o nutriente certo, na dose certa, no momento certo, no local certo. Esse é o chamado “manejo 4Cs”, principal diretriz que norteia um protocolo de adubação eficiente. O desafio agronômico está em entender a necessidade específica de cada cultura, em cada fase do ciclo.

É essa lógica que guia o trabalho da Yara como empresa de nutrição de plantas. O portfólio da companhia reúne soluções para diferentes culturas, sistemas produtivos e estágios de desenvolvimento, incluindo soluções à base de nitrato de cálcio, produtos que atendem sistemas de fertirrigação, fertilizantes para tratamento de sementes e um portfólio completo de bioinsumos e foliares que entregam tecnologia e resultados no campo. Tudo isso, com conhecimento científico comprovado e resultados consistentes em diversas culturas. O objetivo não é simplesmente colocar nutriente à disposição do produtor, é ajudá-lo a tomar decisões nutricionais mais precisas, de acordo com o que a lavoura realmente precisa.

 

Da produtividade à qualidade do que chega à mesa

A eficiência nutricional também define qualidade, não só quantidade. Uma planta precisa de nutrientes para formar raízes, folhas, flores, frutos e sementes, e o equilíbrio desses nutrientes participa de processos fisiológicos diferentes em cada etapa do ciclo. É por isso que a estratégia de fertilização precisa acompanhar as particularidades de cada cultivo, uma exigência especialmente relevante num país como o Brasil, que produz uma variedade enorme de culturas em condições de solo e clima muito diferentes entre si.

Para o produtor, uma nutrição bem planejada é parte de um planejamento de produtividade, qualidade e uso eficiente de recursos. Para a sociedade, essa mesma eficiência fortalece a capacidade de produzir e abastecer alimentos. A relação entre agricultura e alimentação, portanto, começa bem antes da gôndola do supermercado. Ela começa no solo, na capacidade de uma planta encontrar os nutrientes de que precisa para completar seu ciclo.

 

E se o fertilizante for importado? O alerta do Oriente Médio

A segurança alimentar está amarrada a cadeias globais de produção, já que isso impacta diretamente na disponibilidade de fertilizantes no mercado global. O Brasil tem forte dependência de fertilizante importado, especialmente de matérias-primas usadas na produção agrícola, o que significa que decisões tomadas do outro lado do mundo podem repercutir no planejamento de uma lavoura brasileira.

O Estreito de Ormuz mostrou recentemente esse cenário de fertilizantes em falta se formar por conta de tensões geopolíticas. Desde o fim de fevereiro de 2026, uma operação militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã fechou, na prática, o Estreito de Ormuz ao tráfego comercial regular. É por essa passagem estreita, entre o Irã e Omã, que circulam entre 30% e 33% do comércio mundial de fertilizantes nitrogenados e cerca de 45% das exportações de enxofre, insumo usado na fabricação de outros fertilizantes.

O conflito no Oriente Médio também afetou diretamente a produção de amônia e ureia no Catar, um dos maiores polos de gás natural do mundo, matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados. Com isso, segundo dados da CRU, ao longo de 28 semanas de conflito o mercado global de fertilizantes deixou de produzir e comercializar cerca de 5,5 milhões de toneladas de ureia. O Oriente Médio responde por 35% do comércio global desse fertilizante e, em 2025, foi origem de cerca de 18% de todo o volume de ureia que chegou aos portos brasileiros.

A própria FAO já reconheceu um efeito cascata desse cenário sobre os preços globais de alimentos, com seu índice de preços subindo nos meses seguintes ao início do conflito. O economista-chefe da organização chegou a defender publicamente a reabertura do Estreito de Ormuz como parte da solução, ao lado de um investimento maior em resiliência e diversificação de fontes de fertilizantes. É um retrato nítido de como um conflito a milhares de quilômetros de distância pode chegar ao produtor brasileiro na forma de um custo mais alto ou de um insumo mais escasso na próxima safra. Segurança alimentar, nesse sentido, também é sinônimo de resiliência: quanto mais preparada estiver a cadeia agrícola, maior sua capacidade de absorver choques como esse sem comprometer a produção.

A diversificação de origens é uma das estratégias da Yara diante desse cenário: comprar fertilizantes em diferentes origens, para não depender de um único país ou região. Além disso, os produtos premium da companhia vêm de origens que hoje não estão diretamente ligadas a conflitos, sendo as fábricas da Yara na Noruega a principal fonte desses produtos.

 

Produzir mais não basta, é preciso produzir melhor

Uma possível falta de fertilizantes vai além de uma lavoura menos produtiva. A atividade envolve aspectos de sustentabilidade em busca de descarbonizar a agricultura. E isso passa, essencialmente, pela forma como esses fertilizantes nitrogenados são produzidos.

A fabricação de fertilizantes nitrogenados demanda energia, muitas vezes provenientes de diferentes fontes energéticas, e está associada à emissão de gases de efeito estufa. Reduzir a pegada de carbono desses adubos é uma das frentes de inovação mais urgentes para uma agricultura mais sustentável.

O fertilizante nitrogenado parte da amônia, e a amônia é produzida em geral a partir de gás natural, o que faz da etapa industrial uma fonte relevante de emissões na cadeia de alimentos. Por isso a descarbonização da amônia é o centro da estratégia da Yara.

A Yara trabalha com duas rotas complementares nesse caminho. Uma é a amônia renovável, produzida a partir de hidrogênio obtido por eletrólise com energia renovável, em operação em escala de demonstração na Noruega. A outra é a captura e o armazenamento de carbono, que reduz as emissões da amônia produzida a partir de gás natural. A Yara acaba de inaugurar uma instalação dedicada a esse processo,na Holanda. As duas rotas alimentam o portfólio Yara Climate Choice, de fertilizantes com menor pegada de carbono. A mudança de fundo é que o produtor e a indústria de alimentos passam a ter uma alternativa para reduzir as emissões de escopo 3, as que ocorrem na cadeia de fornecimento, sem alterar o manejo da lavoura.

A Yara trabalha nessa frente por diferentes caminhos: investe em tecnologias para reduzir as emissões da fabricação de fertilizantes e desenvolve soluções de menor pegada de carbono, como os produtos da linha Yara Climate Choice. No Brasil, a companhia já avançou na produção de amônia com menor intensidade de carbono em sua unidade de Cubatão, em São Paulo, utilizando biometano como matéria-prima, uma rota que também reduz a exposição do país a rupturas como a do Oriente Médio. A lógica por trás disso é simples: não existe segurança alimentar duradoura se a capacidade produtiva dos sistemas agrícolas for comprometida no longo prazo.

Além do produto, a Yara também olha para toda a operação. A companhia é pioneira no setor com big bags sustentáveis, fabricadas com plástico reciclado, que possibilitam a reciclagem de 100% do material. No transporte de cargas, utiliza caminhões movidos a GNL (gás natural liquefeito), o que reduz em 20% as emissões de gases de efeito estufa e em 90% as emissões de NOx e SOx, gases nocivos à saúde.

 

Tecnologia a serviço de uma decisão mais precisa

A inovação também está mudando a forma como o produtor decide. Ferramentas digitais, agricultura de precisão e tecnologias de monitoramento permitem trabalhar com informações cada vez mais específicas sobre as condições reais de cada talhão, ajudando o produtor a ajustar o manejo conforme a necessidade da cultura e a usar os recursos com mais eficiência.

Para a Yara, tecnologia e conhecimento agronômico caminham juntos na evolução da nutrição de plantas. A companhia atua globalmente no desenvolvimento de soluções para enfrentar mudanças climáticas, pressão por mais produtividade e uso responsável dos recursos naturais. No campo, essa transformação respeita a realidade de cada cultura e de cada propriedade: solo, clima, produtividade esperada, sistema de cultivo e estágio da planta são variáveis que nenhuma fórmula única consegue resolver sozinha. É a combinação entre ciência, tecnologia e conhecimento agronômico que transforma a nutrição de plantas numa ferramenta real de eficiência que entrega mais comida na mesa.

Um exemplo prático dessa combinação é o trabalho com a Cooxupé, a maior cooperativa de café do mundo. A iniciativa levou fertilizantes de menor pegada de carbono a um grupo de 30 pequenos e médios agricultores, junto com a adoção de práticas agrícolas, métodos e ferramentas digitais para reduzir a pegada climática e aumentar a produtividade e a qualidade das culturas. Realizado na safra 2024/2025, o projeto alcançou redução de 40% na pegada de carbono do grão de café.

 

O que está realmente em jogo

Se os fertilizantes desaparecessem amanhã, a mudança não seria imediata, mas as consequências negativas seriam sentidas em um futuro próximo. Ciclo agrícola após ciclo agrícola, a escassez de nutrientes comprometeria a produtividade de diferentes culturas, pressionaria o uso da terra e, cedo ou tarde, chegaria ao prato, com preço dos alimentos elevado, menor disponibilidade e impactos severos na qualidade nutricional dos produtos. O episódio do Estreito de Ormuz já deixou evidente em escala real como ter fertilizantes em falta impacta os mercados. Produtor, indústria, distribuição e consumidor sentiriam o mesmo aperto, só que em momentos diferentes da cadeia.

Esse é o motivo que torna fertilizante um assunto maior do que parece à primeira vista. Ele está ligado à segurança alimentar, à geração de renda no campo, ao desenvolvimento sustentável e à capacidade de alimentar uma população que segue crescendo. E essa constatação carrega também uma responsabilidade: se o fertilizante pode faltar por motivos que estão fora do controle de qualquer produtor, também é indispensável produzi-lo e usá-lo da forma mais eficiente e consciente possível.

Como líder global em nutrição de plantas, a Yara investe em ciência, tecnologia e inovação para ajudar o produtor a enfrentar essas necessidades do campo, com o objetivo de produzir mais e melhor, usando os nutrientes com eficiência e reduzindo, sempre que possível, o impacto ambiental da produção de alimentos. No fim dessa cadeia inteira está algo muito concreto: o alimento que chega à mesa de cada família.

O Dia do Fertilizante e o Dia Mundial da Alimentação são uma chance de olhar para a importância de um manejo nutricional adequado e uma agricultura mais sustentável. Nutrir uma planta é parte de um processo muito maior, que liga o solo à lavoura, a lavoura ao alimento, e o alimento ao combate à fome e à segurança alimentar de todo mundo.

 

Quer conhecer as soluções da Yara para uma nutrição de plantas mais eficiente e sustentável? Acesse nossos canais digitais, conheça o portfólio de fertilizantes Yara e descubra como ajudamos sua lavoura a enfrentar os desafios de cada safra.