Da fábrica ao campo: como nova instalação de CCS da Yara impulsiona a descarbonização da agricultura global
Projeto de CCS da Yara em Sluiskil capturará até 800 mil t de CO₂/ano e ampliará a oferta de fertilizantes Climate Choice™.
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A descarbonização da agricultura começa muito antes de o fertilizante chegar à lavoura. Ela também passa pelas tecnologias utilizadas para produzir os adubos que sustentam o desenvolvimento das culturas. É por isso que, além de buscar maior eficiência no uso de fertilizantes nitrogenados no campo, a Yara vem investindo em soluções capazes de reduzir as emissões associadas à própria produção. Um dos avanços mais importantes dessa estratégia entra em uma nova etapa, com a operação de uma nova unidade de captura e liquefação de carbono instalada na fábrica de amônia e fertilizantes da Yara em Sluiskil, nos Países Baixos.
A iniciativa é considerada pela companhia o maior projeto industrial de captura de carbono da Europa. A partir de 2026, a unidade terá capacidade para capturar e liquefazer aproximadamente 800 mil toneladas de CO₂ por ano, que serão transportadas por navio até a Noruega para armazenamento geológico permanente a cerca de 2.600 metros abaixo do leito do Mar do Norte. Ao longo de 15 anos, a expectativa é armazenar aproximadamente 12 milhões de toneladas de CO₂.
Mais do que uma iniciativa de redução de emissões industriais, o investimento representa um passo importante para ampliar a disponibilidade de fertilizantes de menor pegada de carbono. E essa transformação já ultrapassa as fronteiras da Europa. Por meio do portfólio Yara Climate Choice™, a Yara conecta as inovações realizadas na indústria às necessidades de agricultores e empresas da cadeia de alimentos em escala global, incluindo o Brasil.
Uma nova etapa na descarbonização da produção de fertilizantes
A produção de amônia, matéria-prima fundamental para os fertilizantes nitrogenados, é uma das atividades industriais em que a redução das emissões representa um desafio relevante. Isso acontece porque o processo convencional utiliza gás natural não apenas como fonte de energia, mas também como fonte de hidrogênio. Como consequência, o CO₂ faz parte do próprio processo produtivo.
É justamente nesse ponto que a captura e o armazenamento de carbono, conhecida pela sigla CCS, ganha importância. Em vez de permitir que parte desse carbono seja liberada para a atmosfera, a tecnologia possibilita sua captura, tratamento, liquefação, transporte e armazenamento permanente em formações geológicas adequadas.
No caso de Sluiskil, o CO₂ capturado durante a produção de amônia será liquefeito na própria unidade da Yara. De lá, será transportado por navios especializados da Northern Lights até Øygarden, na Noruega. Depois, seguirá por uma infraestrutura subterrânea até o local de armazenamento no Mar do Norte. A cadeia cria uma conexão entre a produção industrial nos Países Baixos e uma estrutura de armazenamento permanente em outro país, em um modelo pioneiro de transporte transfronteiriço de CO₂.
A escala ajuda a dimensionar a relevância da iniciativa. As 800 mil toneladas de CO₂ capturadas por ano equivalem a aproximadamente 0,5% das emissões anuais dos Países Baixos, considerando como referência os dados de 2022.
O investimento na nova planta também demonstra a dimensão da transformação. A Yara destinou aproximadamente €200 milhões ao projeto, que inclui a expansão da capacidade de liquefação, armazenamento e carregamento do CO₂ e capacidade de captura e armazenamento de 800 mil toneladas por ano.
Da molécula de amônia a fertilizantes de menor pegada
Para quem vive a realidade do campo, falar em captura de carbono em uma unidade industrial localizada na Europa pode parecer algo distante da realidade da propriedade rural. Mas é justamente nessa conexão entre indústria e agricultura que está uma das principais contribuições do projeto.
O carbono associado à produção do fertilizante representa parte importante da pegada de carbono de todo o alimento produzido. Por isso, reduzir as emissões antes que o adubo chegue à propriedade é uma forma de atuar sobre uma etapa importante da cadeia de valor.
A Yara estima que a iniciativa de Sluiskil permitirá ampliar sua oferta em aproximadamente 1,8 milhão de toneladas de nitratos de menor carbono, produzidos a partir de amônia de menor intensidade de carbono, já que nesse modelo, mais de 60% do CO₂ relacionado à produção desses nitratos é capturado e enviado para armazenamento permanente.
Essa nova capacidade contribui para ampliar o portfólio Yara Climate Choice, que reúne os fertilizantes de alta eficiência da Yara desenvolvidos para reduzir a pegada de carbono sem abrir mão da qualidade e da eficiência agronômica já associadas às soluções da companhia.
Nos fertilizantes Yara Climate Choice Lower Carbon, produzidos a partir de amônia de menor carbono viabilizada pelo CCS, a redução da pegada de carbono pode variar de 35% a 75% em comparação com o mesmo fertilizante produzido sem a tecnologia de captura e armazenamento. O resultado depende de fatores como o teor de nitrogênio do produto e a extensão da aplicação do CCS no processo produtivo.
Para o produtor rural, a grande inovação por trás desse investimento global se traduz em uma vantagem extremamente prática na fazenda: a oportunidade de adotar um fertilizante de menor pegada de carbono sem precisar alterar em nada a sua rotina de manejo. Ao optar pelas soluções do portfólio Yara Climate Choice, o agricultor continua contando com a mesma eficiência agronômica e a alta performance de linhas consagradas como YaraMila, YaraBela e YaraLiva, mas passa a entregar uma colheita com maior valor socioambiental agregado e alinhada às novas exigências do mercado global.
Uma estratégia que combina diferentes tecnologias
O CCS é uma das frentes da estratégia de descarbonização da Yara, mas não é a única. A empresa trabalha com diferentes rotas tecnológicas porque a transição para uma agricultura de menor pegada de carbono exige soluções complementares.
Em Porsgrunn, na Noruega, por exemplo, a Yara opera uma planta de 24 MW de hidrogênio renovável, que utiliza eletrólise da água alimentada por eletricidade renovável. A iniciativa permite evitar aproximadamente 41 mil toneladas de CO₂ por ano e viabiliza a produção de fertilizantes com até 95% menos pegada de carbono, dependendo da solução.
No Brasil, a estratégia também já está em prática. Na unidade de Cubatão, em São Paulo, a Yara produz amônia utilizando biometano proveniente de resíduos da cadeia da cana-de-açúcar. A substituição do gás natural fóssil pelo biometano pode reduzir em até 75% as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção de amônia.
O projeto de CCS em Sluiskil é um marco recente, mas não um ponto de partida. A busca da Yara pela redução da pegada de carbono de seus processos fabris já vem de longa data. Um bom exemplo é o desenvolvimento e a implementação da tecnologia de catalisadores de alta eficiência nas plantas de ácido nítrico, que reduziu em cerca de 90% as emissões de óxido nitroso (N₂O) no processo de fabricação. Essa inovação histórica desenvolvida pela Yara permitiu que os fertilizantes de base nitrato da companhia passassem a ter uma pegada de carbono originalmente 50% a 60% menor em comparação a produtos equivalentes sem essa tecnologia na fabricação.
São caminhos diferentes para um mesmo objetivo: reduzir a intensidade de carbono da produção de fertilizantes nitrogenados que são essenciais para a agricultura.
Impacto positivo para o produtor brasileiro
A conexão entre esses investimentos globais e o Brasil já existe. O portfólio Yara Climate Choice está presente no mercado brasileiro e vem sendo utilizado em iniciativas com diferentes cadeias agrícolas.
Em 2024, por exemplo, a Cooxupé começou a utilizar fertilizantes Yara Climate Choice, com expectativa de reduzir em até 40% as emissões associadas à produção do café. Um exemplo de como fertilizantes com menor pegada de carbono impactam positivamente a produção de alimentos em grande escala é a parceria entre a Yara e a PepsiCo. Os testes e estimativas do projeto indicam que a adoção dessas soluções pode reduzir a pegada de carbono por tonelada de batata produzida.
Mais recentemente, a Yara ampliou essa agenda no Brasil com iniciativas voltadas a outras culturas. Em agosto de 2026, a companhia firmou acordo com o Grupo Bananas Corrêa para utilizar fertilizantes de menor pegada de carbono em duas áreas que somam 20 hectares em Registro, no Vale do Ribeira, em São Paulo. A iniciativa representa a primeira ação da Yara voltada especificamente à fruticultura de mesa.
Outro avanço importante foi o lançamento do Yara CarbonCalc, plataforma criada para estimar o impacto da escolha de fertilizantes de menor pegada de carbono. Segundo a Yara, as vendas brasileiras dessas soluções entre janeiro e agosto de 2026 já representavam uma estimativa de aproximadamente 450 mil toneladas de CO₂ equivalente em emissões evitadas.
Esses resultados mostram que a descarbonização não precisa ser uma transformação distante ou restrita às grandes indústrias. Ela pode começar na escolha dos insumos utilizados na propriedade e ganhar escala à medida que diferentes elos da cadeia passam a considerar também a pegada de carbono dos produtos.
Mais eficiência para produzir os alimentos do futuro
A redução da pegada de carbono dos fertilizantes é apenas uma parte dessa equação. Para que a agricultura avance em direção a sistemas mais sustentáveis, também é necessário aumentar a eficiência com que os nutrientes são utilizados pelas plantas.
Isso significa aplicar o nutriente certo, na dose adequada e no momento em que a cultura realmente precisa dele, combinando conhecimento agronômico, análise de solo e folhas, ferramentas digitais e agricultura de precisão. Quando a redução das emissões na fabricação do fertilizante é associada à eficiência nutricional no campo, o potencial de impacto aumenta.
Essa visão é especialmente relevante diante das necessidades de empresas de alimentos e de outros integrantes da cadeia produtiva que buscam reduzir suas emissões de Escopo 3. Um fertilizante produzido com menor intensidade de carbono pode contribuir para reduzir a pegada do alimento sem exigir mudanças na logística ou nas práticas agrícolas necessárias para sua utilização. Os fertilizantes Yara Climate Choice foram desenvolvidos para oferecer esse caminho de redução das emissões da cadeia de valor, mantendo a qualidade e a eficiência agronômica.
Por isso, a nova unidade de CCS de Sluiskil representa mais do que uma obra de infraestrutura industrial. Ela faz parte de uma transformação que começa na produção da amônia, passa pela fabricação do fertilizante e chega à lavoura, onde o nutriente contribui para produzir mais alimentos e com melhor qualidade final.
Uma transformação que já está acontecendo
A trajetória da Yara em direção a uma agricultura de menor pegada de carbono combina diferentes frentes. A companhia já reduziu significativamente as emissões de suas operações ao longo das últimas décadas e continua investindo em tecnologias capazes de avançar nesse processo.
O projeto de expansão de CCS também reforça uma ideia importante: a descarbonização da agricultura não depende de uma única solução. Captura e armazenamento de carbono, hidrogênio renovável, biometano, eficiência industrial, agricultura de precisão e manejo adequado dos nutrientes são partes de uma mesma estratégia.
Para o agricultor brasileiro, isso significa que a sustentabilidade pode ser incorporada de forma cada vez mais concreta às decisões de produção. E, à medida que a oferta de fertilizantes de menor pegada de carbono cresce, novas oportunidades surgem para conectar produtividade, rentabilidade e as demandas de uma cadeia de alimentos que busca reduzir seu impacto ambiental.
A nova unidade de Sluiskil representa, portanto, um passo importante nessa transformação. Ao capturar o carbono associado à produção de amônia e armazená-lo de forma permanente, a Yara amplia sua capacidade de produzir fertilizantes de menor pegada e fortalece uma transição que já começa a ganhar espaço no campo brasileiro, contribuindo de modo decisivo para um futuro alimentar positivo para a natureza.
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