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Banana

Princípios Agronômicos da Banana


Zona Climática

As principais áreas produtoras de banana estão situadas nos trópicos entre o Equador e a 20° de latitudes norte e sul. Entretanto, a cultura também é produzida em regiões subtropicais quentes/secas e frias de até 30° norte e sul do equador.

As bananas necessitam de condições de cultivo quentes e úmidas. O crescimento ideal ocorre em temperaturas entre 25 e 30°C. A temperatura ideal para a iniciação floral é de 22°C. Altas temperaturas durante a floração reduzirão o tamanho do cacho e em temperaturas acima de 38°C há o risco de queimadura solar nas folhas e no fruto - a menos que sejam criadas condições sombreadas ou que se utilizem sacos coloridos para cobrir os cachos. Temperaturas excepcionalmente altas de 40- 45°C um pouco antes ou depois da emergência da flor podem provocar ruptura de frutos maduros.

Esse distúrbio resulta em uma fruta que amadurece normalmente, mas que apresenta prazo de validade curto, de cerca de dois dias, quando, então, a polpa se decompõe em uma consistência líquida e pastosa. Em regiões de produção de climas mais frios – por exemplo, em altitudes mais altas nos trópicos - o período de amadurecimento é longo e os níveis de sólidos solúveis totais aumentam na polpa, resultando em uma fruta mais doce.

O crescimento da bananeira será interrompido em temperaturas abaixo de 10°C, resultando na deformação do cacho. Quando as temperaturas frias de inverno restringem a emergência das folhas e da inflorescência, pode ocorrer o que se chama de “Engasgamento (Choke Throat)”. Esta deformação produz cachos alinhados horizontalmente e não verticalmente ou, em casos mais severos, o cacho que desponta é bastante atrofiado e os dedos ficam diretamente expostos à luz solar, o que os danifica.

Folhas danificadas pelo vento

De modo semelhante, em temperaturas noturnas muito baixas de inverno que coincidem com a iniciação floral no pseudocaule, os cachos podem ser pequenos e malformados, com poucas pencas e dedos geralmente torcidos. Isso é conhecido como "November Dump (queda de Novembro)" nos países do hemisfério sul ou "May Bunch (Cacho de Maio)" nos do hemisfério norte. Mesmo alguns minutos de geada causam a morte das folhas. Danos irreversíveis ocorrem à plantação em temperaturas de -2°C.

As condições de alta luminosidade propiciam o crescimento máximo e a produção de frutos de qualidade. Entretanto, em regiões tropicais, uma boa produtividade é ainda alcançada em condições com até 50% de sombra ou céu nublado durante o período diurno.

O vento pode dilacerar as folhas, reduzindo a atividade fotossintética. Os ventos fortes podem destruir as plantações – um problema potencializado pelo fato de muitas plantas apresentarem sistema radicular superficial. Desse modo, o vento quebra a planta e escoramentos são utilizados para ajudar a minimizar os danos à cultura. O granizo pode ser um problema nas regiões subtropicais, danificando as folhas e reduzindo a qualidade e a conservação dos frutos.

Unidades de Produção 

Unidade de produção ou “família”

Em plantações comerciais, uma ‘planta-mãe’ e uma ‘planta-filha’ constituem uma unidade de produção (uma touceira ou família), e a maioria das plantações tem entre 1500 e 3000 unidades de produção/ha.

Taxas mais altas de plantio são mais apropriadas em áreas quentes secas para aumentar a produtividade e também fornecer sombra onde o estresse ao calor seja um problema. As plantações de longo prazo, com 4 a 5 anos ou mais, adaptam-se menos a plantios densos. As plantas maiores, como a Williams, também se adaptam a espaçamentos mais amplos. Entretanto, há a redução de prováveis doenças em culturas com menor densidade de plantio. 

A planta produz rizomas subterrâneos cujas gemas laterais produzem perfilhos que se desenvolvem em pseudocaules nos quais o fruto é produzido.

Cada pseudocaule representa uma geração diferente e a primeira planta produzida em um rizoma é chamada de 'planta-mãe'. As plantas seguintes são chamadas de 'brotos' ou filhas e netas. A flor (indicada no desenho abaixo) mostra que o desenvolvimento da inflorescência começa no pseudocaule a partir do início do segundo mês. Por volta do quarto mês, a formação da inflorescência está completa. Nesse estágio, a planta cria um número definido de flores femininas, que crescem para produzir o fruto. Do sexto ao nono mês, a inflorescência começa a sua jornada até o meio do pseudocaule, emergindo pelo topo da planta em torno de 3 a 4 semanas depois.

A maturação começa com o crescimento do fruto e após a bráctea expor a penca. Isso continua até a colheita quando os frutos atingem o tamanho máximo. O crescimento dos frutos ocorre normalmente de 3 a 4 meses e meio; em climas mais frios pode levar 6 meses. Para uma produtividade ideal, de 10 a 12 folhas em plena atividade são necessárias na floração. Pode-se cair para 9 folhas por planta no desbaste do cacho e, dependendo dos níveis de doença, pode cair, no mínimo, para 5 na colheita.

O desperfilhamento é essencial para manter uma alta produtividade; os perfilhos extrairão os nutrientes da planta-mãe reduzindo a produção do broto selecionado. Por essa razão, os perfilhos precisam ser removidos antes de alcançarem (30 cm) de altura. Um intervalo típico de colheita entre as plantas mãe e filha nos trópicos é de 7 a 10 meses.

Em nossa região, colheitas de 1,2 – 1,5 por ano são possíveis, dependendo da genética da planta, da nutrição, da umidade, da temperatura, da luminosidade e da sanidade da planta. O uso de plantas in-vitro melhorou o índice das colheitas para 2,2 em condições ideais de cultivo. A taxa de desenvolvimento é bastante afetada pelo meio ambiente. Nos trópicos, o desenvolvimento é mais rápido, enquanto nas regiões subtropicais ou em altitudes mais altas, a produção de banana é menor.

Flor (delineada) no pseudocaule